Ogrices
17/02/12
Ronaldo está saindo pior que a encomenda
11/01/12
História de Ano Novo
Mas ainda estava em choque, processando o que aconteceu e ponderando o significado daquilo. Decidi contar por aqui, e quem sabe alguém que encontrar essa narrativa consiga, com maior conhecimento do que eu, me ajudar a entender.
Foi no dia 31 de Dezembro passado. Véspera de ano novo. Descemos todos para ver os fogos, pouco antes da meia noite, debaixo de uma chuva estraga-prazeres. Cada um com seu guarda-chuva na mão (no meu caso, um guarda sol fazendo a vez de seu nêmese), família toda próxima. E então alguém tocou de leve meu ombro. Olhei para o lado e vi um homem todo vestido de branco, mais baixo do que eu, barba e cabelos castanhos ondulados até os ombros e olhar pacífico.
"Olá", disse ele com um sorriso amigável e até um pouco tímido. Eu não queria muito conversar - adoro fogos - mas ainda tínhamos cerca de 10 minutos e tenho o péssimo hábito de ser polido demais, então respondi. "Quanta gente, não?", ele continuou. Novamente respondi, um pouco seco. "Você se importaria de me tirar algumas dúvidas?", insistiu. E eu realmente me importava, mas havia algo naquele olhar e sorriso bondosos, inocentes, e um tom naquela voz absolutamente serene que me compeliu a concordar.
"Eu não sou daqui," continuou o homem, "estou visitando, e fiquei muito curioso para entender o que está acontecendo. Porque está todo mundo aqui, olhando para o mar?"
"Bom" comecei a responder, já achando que era pegadinha de algum programa infame de TV, "logo mais vai ter queima de fogos para celebrar o ano novo."
"Ah. E por que tanta gente está de branco? Ou amarelo?"
"Você está brincando, né? Sei lá, cara, é tradição. Branco é paz, felicidade. Amarelo acho que é dinheiro", expliquei meia boca - eu mesmo não sei o que cada cor significa. Mas ele olhou intrigado, e aquele olhar era inocente demais. Concluí que não estava de sarro, e talvez fosse apenas alguém com problemas psicológicos ou de memória, então completei: "As pessoas acreditam que entrar no ano novo vestindo essas cores vai trazer coisas boas, compram cueca nova, calcinha nova e usam para simbolizar... sei lá, coisas novas significam alguma coisa boa também. Pra ser sincero, eu não acredito nessas coisas, mas vá lá. Se deixa as pessoas felizes..."
"Entendo. E é assim no mundo todo?"
"Ah, cada país tem suas tradições e suas crendices típicas e elas são diferentes entre si, mas sim, o mundo inteiro faz isso", mas aí já estava achando estranho demais, ele me ouvia com curiosidade demais, atentamente demais. "Mas pára com isso, cara" falei, o mais delicadamente que consegui. "Não é possível que você não saiba essas coisas, você deve ter mais de 30 anos! Você estava em algum hospital, teve algum problema?"
Então ele se apresentou: "Presencialmente aqui, 34 anos, na verdade - fiz aniversário há pouco. Pelo menos da maneira que vocês contam o tempo." E aí fui eu quem ficou confuso. "Vocês?", perguntei. "Sim. Como falei, não sou daqui.", ele disse, e então falou o nome de seu planeta de origem, a sei-lá-quantos-anos-luz da Terra. Seu nome era Jesus (pronuncia-se "Rê-ssus"), e ele passou a sussurrar segredos cósmicos, sua origem, a (real) origem da humanidade e seu destino. Conforme falava fui completamente envolvido em sua voz, em suas palavras, e minha mente foi sendo transportada por elas: vi o big bang e viajei por mundos, pela matemática, física e outras ciências como se fossem brinquedos de um desses parques itinerantes absolutamente vagabundos que pipocam por cidades pequenas e pelo litoral durante a temporada. Em sua voz, era tudo tão simples, e ao mesmo tempo perigoso e inseguro, assim - pelo menos foi assim que me senti. "Viajei" pelo que pareceram horas, talvez dias. Completou com o sentido da vida (lembro de ter torcido para ele dizer "42", mas não disse), a ciência de tudo, o segredo por trás de todas as crenças e quando vi estava de volta em meu corpo, debaixo da chuva, olhando para aquela figurinha curiosa, em choque e absolutamente certo de que se tratava de um alienígena - disso não havia dúvidas, não havia o que questionar. Mas antes que eu conseguisse ao menos terminar de processar que se tratava de um alienígena e do que isso significava, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ele falou, de maneira terrivelmente definitiva:
"Mas é óbvio que uma civilização que acredita que a cor da cueca e da calcinha vai trazer algum tipo de benefício em seus destinos em um banal novo ciclo ao redor do sol não está pronta para esse conhecimento ainda. Voltarei em alguns milênios", e estalou os dedos em frente ao meu nariz no exato momento em que os fogos começaram, com explosões altas e brilho intenso. Pego de surpresa, virei por um instante para os fogos e quando olhei de volta ele não estava mais lá. Na verdade, sua presença era uma mera sensação - não tinha nem mesmo certeza de que ele havia estado lá. Só que tinha certeza. Não sei explicar como exatamente. E não conseguia lembrar de nada do que ele me contou. Isso aconteceu já no momento em que estalou os dedos.
Apenas ecoam no fundo da minha mente essas últimas e definitivas palavras, em tom tão cruelmente sereno: "não está pronta para esse conhecimento". E sei que ele estava certo. Terrivelmente certo.
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16/12/11
Egoísmo
Todo mundo é egoísta. Em maior ou menor grau, claro. A gente é egoísta até sem perceber, às vezes. Ou até quando acha que está fazendo algo totalmente altruísta. (lembrei daquele episódio de Friends agora). É normal, a raça humana é assim, vem de fábrica - não sou psicólogo mas tenho certeza de que tem algum estudo renomado sobre isso, pode procurar.
E eu sempre me considerei um cara bastante altruísta. Sempre gostei de ajudar os outros e tive consciência – e certa vergonha – quando meu lado egoísta surgiu, sempre em coisas menores. Ou foi o que pensei. A gente vai crescendo e evoluindo e repensando a vida e nessas percebi que sou muito mais egoísta do que pensei. Assustadoramente, até.
Meus pais sempre foram meio esquisitões, meio fechados, na deles, e eu cresci com um anseio muito grande de independência. E aos 17 já trabalhava e pagava todas as minhas próprias contas (exceto aqueles “detalhes” de casa como empregada, água, gás, luz...), aos 19 saí de casa para estudar na UNICAMP e desde então, tirando um período em que voltei para SP e voltei a ter aqueles detalhes cuidados, tive minha vida praticamente separada da deles. E me orgulhava de não dar trabalho. Minha irmã, pelo contrário, continuou em casa (e até hoje), e sempre contou com a ajuda deles para várias coisas – e eu, me achando superior, olhava para isso com até um pouco de desprezo. Mas isso é ridículo. Eles podem ter ajudado a minha irmã mais freqüentemente, mas quando me ajudaram, foi de maneiras (e com valores) muito maiores. E eu achando que era super auto-suficiente... pffff
Mas o que realmente me atingiu como um porrete na testa disso tudo foi pensar no quanto eu fui egoísta com eles. Ajudar é uma maneira – para pessoas tão fechadas – de participar das nossas vidas, de fazer parte de alguma maneira e de, claro, ver os filhos bem. E eu privei meus pais disso durante a vida toda, quase a metade da minha vida toda, até porque quando aceitei a ajuda foi sempre relutando, e não aproveitando; sempre com ressalvas e um sentimento negativo de insuficiência, ao invés de alegria e compartilhamento.
Devo desculpas aos meus pais, mas o pior (para minha culpa) é que eles não esperam por isso. E nem mesmo aceitariam. Só estão lá, esperando a chance de eu deixá-los me ajudarem. E assim participarem um pouquinho da minha vida.
Às vezes consigo ser tão escroto que me choca.
.21/10/11
Comentários
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Aline Freitas disse...
Comentário de quem realmente não entende nada de alimentação saudável, deve ser gordo e deve dizer que se acha feliz sendo assim. Traumatizado. O nome do blog da diz tudo... é um ogro mesmo... que deve comer só porcaria e achou essa fórmula ridícula de justificar sua alimentação péssima... mau gosto esse blogzinho, aposto que vai apagar esse post, para que as pessoas não compartilhem da mesma opinião que a minha... fraquinho!!!
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Sabe, Aline, eu não ia responder porque mamãe ensinou que devemos ser superiores a pessoas ignorantes que fazem ofensas gratuitas. Mas o que você falou realmente me magoou... porém me abriu os olhos – pegou no meu ponto fraco: o fato de que estou gordo! Sabe, eu venho me enganando de que sou feliz sendo assim, mas já tentei perder peso e é muito difícil, comer é muito bom e tudo que é bom engorda, não é mesmo? Vou deletar o post, de verdade, e mais que isso - já que achou fraquinho, vou deletar o blog todo. E vou além, vou me deletar logo é da vida e me matar!
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Nossa, Aline, quanta raiva por algo tão tolo! Você sabe que isso é frustração sexual, né? Ser muito reprimida dá nisso, recomendo dar uma boa trepada para relaxar um pouquinho. Mesmo que você seja MUITO feia, sempre vai ter algum bêbado disposto a te comer. Sério, homem é idiota assim mesmo. E ó, vai te fazer bem! Vou te ajudar com algumas dicas, que nunca testei (graças a deus nunca tive esse problema) mas foram recomendadíssimas por
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1 - Dê de maneira normal, na posição que considerar mais agradável.
2 - Caso o item 1 não resolva, dê meia hora de bunda. Anal às vezes desentope essa frustração constipada toda.
3 - Caso nem o item 1 nem o item 2 resolvam, lave uma pia de louça. Ou uma pia e meia.
4 - E uma trouxa de roupas.
5 - Nada resolveu? Jé-suis, então você é simplesmente mal resolvida mesmo. Tem certeza de que não é gay? Hoje em dia isso é bem aceito pela sociedade, querida. Libere-se!
6 - Caso item 5 afirmativo, 3 palavrinhas fariam maravilhas: strap on e KY.
7 - Caso item 5 negativo,
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A menos que você seja menor de idade (o que explicaria as ofensas de primário e a falta de capacidade de interpretação de texto / raciocínio – bom, explica se você tiver menos de 8 anos). Nesse caso, por favor não faça nada de natureza sexual. Comece a lista do item 3, e pule o item 6. Releia.
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Quanto a sua sugestão de apagar o post...
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HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH²
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Sério, não dá para explicar DE NOVO que o post é uma brincadeira, não adianta apelar para o lado racional de alguém burra demais para perceber isso sendo que o texto DIZ que é uma piada. Faz o seguinte: lê a lista de novo para garantir assimilação.
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MAS a raivinha tola gerou um post (ruim, mas ainda assim), então acho que devo um obrigado a você! :* no S2
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15/10/11
Bye bye Jobs
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26/08/11
Comer saudável o escambau!
Ela tem 51 anos de idade (nascida em Setembro de 1959), e essa é uma foto sua:
Nigella Lawson escreve sobre comida, é jornalista e Chef de programas de TV na Inglaterra. Ela só come carne, manteiga e sobremesas, e seus pratos são sempre preparados com esses itens em abundância. O jornal inglês The Sunday Telegraph chamou seu livro best-seller "How to Eat" de "o mais valioso guia de culinária publicado nessa década."Ela também tem 51 anos de idade (nascida em Janeiro de 1960, 5 meses de diferença).
E essa é uma foto sua:
Preciso dizer mais? Caso encerrado."
Se você achou que as fotos são meio tendenciosas para exaltar a diferença, eu também achei. Então seguem fotos do Google Images (escolhi, entre os primeiros resultados de ambas, as imagens que pareceram ter menos photoshop; sendo a melhor da Gillian e a pior da Nigella) para comparar:
É, não teve jeito: CASO ENCERRADO 2. Nigella Wins. Fatality.
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28/06/11
Tommy e os Unicórnios
Mas ele tinha uma pequena e marcante diferença: Tommy acreditava em unicórnios. Não no sentido feminino da coisa, de desenhar unicórnios nas margens dos cadernos da escola, com laços rosa e sobrevoando arco-íris e corações. Ele os desenhava, sim, mas as versões reais, com cada detalhe. Sabia de cor a mitologia dos unicórnios, sua origem e os estudos dos gregos (que os situavam na Índia, o que depois ficou provado ser um engano grosseiro - mas pelo menos mapearam algumas espécies, como o unicórnio de chifre vermelho, preto e branco, além do tradicional puro branco), hebreus, chineses e os sábios medievais, que realmente se aprofundaram no assunto.
Seus pais não ligavam para sua estranha mania. Afinal, algumas crianças colecionavam latas, outras liam gibis. Se seu filho queria ler sobre unicórnios e estudar o assunto, para eles era perfeitamente inofensivo.
E Tommy sabia mesmo quase tudo sobre os unicórnios.
Nas férias de verão daquele ano, Tommy foi para um acampamento de férias próximo a uma reserva florestal. E foi então que aconteceu. Durante uma caminhada por um trecho particularmente afastado da floresta, Tommy viu um vulto de unicórnio. Quando gritou (assustando a todos) e contou o que viu, seu instrutor (um jovem mal saído da puberdade chamado Doug, que fazia faculdade de Sociologia) e o guia do parque (um senhor de meia idade com um farto bigode marrom com as bordas loiras de nicotina chamado Steve) lhe deram uma bronca, o chamaram de infantil e o mandaram “crescer”. Mas Tommy VIU. Mais do que ver, ele SABIA.
Naquela tarde ao voltar para seu chalé abriu prontamente seus estudos, seu caderno com resumos e os mapas que havia tirado coloridos da impressora do seu pai e fez mais algumas anotações. Após olhar novamente seus principais resumos, tendências climáticas. Fazia sentido que houvesse espécies naquela região! Como ele podia ter sido tão cego?? Mas agora que estava ali, não deixaria a oportunidade escapar. Aquela noite era de lua cheia. Seria clara e o trecho de caminhada ficava a menos de 5 quilômetros do acampamento. Era só fugir durante a noite e aproveitar a claridade para caminhar até o parque. Previu que até a manhã do dia seguinte estaria de volta, com uma história e tanto para contar. E assim fez.
Caminhou por horas, mas a excitação pelo que viu e pelo que sabia que encontraria não o deixava sentir cansaço ou diminuir o passo. Caminhava com um sorriso de orelha a orelha, quase correndo. Imaginava o que contaria para seus pais, para o mundo! Volta e meia passava a mão em sua câmera fotográfica para ter certeza de que estava ali. E ao chegar ao ponto em que tinha visto o vulto, não precisou entrar muito na floresta para ver-se cercado das criaturas mágicas. Seus olhos arregalados pareciam saltar das órbitas e seu sorriso parecia rasgar as bochechas. Ele não conseguia acreditar. A câmera balançava esquecida em seu pescoço.
- Olá, pequeno humano! Você deve acreditar muito em unicórnios para ter conseguido nos encontrar, disse o líder dos unicórnios. O garoto conseguiu apenas sacudir a cabeça que sim.
- Muito bem, muito bem. Não nos revelamos para qualquer um, mas você é realmente especial.
Ele sabia quase tudo de unicórnios. Uma das poucas coisas que não sabia era de que eram capazes de falar. “Acho que ninguém sabia disso”, pensou.
- Como prêmio, vamos levá-lo ao nosso reino mágico! Voaremos através das nuvens, e lá você conhecerá o líder dos unicórnios e o palácio de prata!, disse o unicórnio para o garoto maravilhado.
Tommy sorria. Não podia perder aquela oportunidade de jeito algum. Seus pais iriam entender, afinal ele veria algo que ninguém na história registrada viu. E aceitou, entrando mais profundamente na floresta com o grupo de belos unicórnios.
Ele nunca mais foi visto.
Tommy sabia quase tudo de unicórnios. Além da habilidade da fala, havia apenas mais uma coisa que ele não sabia. Importantíssima.
Ele não sabia que unicórnios, os belos animais mágicos que durante toda a era medieval foram símbolo de pureza e graça, são carnívoros.
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