11/01/12

História de Ano Novo

Demorei um pouco para relatar essa história. Já estamos no dia 10 - ops, agora vejo que passou da meia-noite. Dia 11 então. Que seja.

Mas ainda estava em choque, processando o que aconteceu e ponderando o significado daquilo. Decidi contar por aqui, e quem sabe alguém que encontrar essa narrativa consiga, com maior conhecimento do que eu, me ajudar a entender.

Foi no dia 31 de Dezembro passado. Véspera de ano novo. Descemos todos para ver os fogos, pouco antes da meia noite, debaixo de uma chuva estraga-prazeres. Cada um com seu guarda-chuva na mão (no meu caso, um guarda sol fazendo a vez de seu nêmese), família toda próxima. E então alguém tocou de leve meu ombro. Olhei para o lado e vi um homem todo vestido de branco, mais baixo do que eu, barba e cabelos castanhos ondulados até os ombros e olhar pacífico.

"Olá", disse ele com um sorriso amigável e até um pouco tímido. Eu não queria muito conversar - adoro fogos - mas ainda tínhamos cerca de 10 minutos e tenho o péssimo hábito de ser polido demais, então respondi. "Quanta gente, não?", ele continuou. Novamente respondi, um pouco seco. "Você se importaria de me tirar algumas dúvidas?", insistiu. E eu realmente me importava, mas havia algo naquele olhar e sorriso bondosos, inocentes, e um tom naquela voz absolutamente serene que me compeliu a concordar.

"Eu não sou daqui," continuou o homem, "estou visitando, e fiquei muito curioso para entender o que está acontecendo. Porque está todo mundo aqui, olhando para o mar?"
"Bom" comecei a responder, já achando que era pegadinha de algum programa infame de TV, "logo mais vai ter queima de fogos para celebrar o ano novo."
"Ah. E por que tanta gente está de branco? Ou amarelo?"
"Você está brincando, né? Sei lá, cara, é tradição. Branco é paz, felicidade. Amarelo acho que é dinheiro", expliquei meia boca - eu mesmo não sei o que cada cor significa. Mas ele olhou intrigado, e aquele olhar era inocente demais. Concluí que não estava de sarro, e talvez fosse apenas alguém com problemas psicológicos ou de memória, então completei: "As pessoas acreditam que entrar no ano novo vestindo essas cores vai trazer coisas boas, compram cueca nova, calcinha nova e usam para simbolizar... sei lá, coisas novas significam alguma coisa boa também. Pra ser sincero, eu não acredito nessas coisas, mas vá lá. Se deixa as pessoas felizes..."
"Entendo. E é assim no mundo todo?"
"Ah, cada país tem suas tradições e suas crendices típicas e elas são diferentes entre si, mas sim, o mundo inteiro faz isso", mas aí já estava achando estranho demais, ele me ouvia com curiosidade demais, atentamente demais. "Mas pára com isso, cara" falei, o mais delicadamente que consegui. "Não é possível que você não saiba essas coisas, você deve ter mais de 30 anos! Você estava em algum hospital, teve algum problema?"

Então ele se apresentou: "Presencialmente aqui, 34 anos, na verdade - fiz aniversário há pouco. Pelo menos da maneira que vocês contam o tempo." E aí fui eu quem ficou confuso. "Vocês?", perguntei. "Sim. Como falei, não sou daqui.", ele disse, e então falou o nome de seu planeta de origem, a sei-lá-quantos-anos-luz da Terra. Seu nome era Jesus (pronuncia-se "Rê-ssus"), e ele passou a sussurrar segredos cósmicos, sua origem, a (real) origem da humanidade e seu destino. Conforme falava fui completamente envolvido em sua voz, em suas palavras, e minha mente foi sendo transportada por elas: vi o big bang e viajei por mundos, pela matemática, física e outras ciências como se fossem brinquedos de um desses parques itinerantes absolutamente vagabundos que pipocam por cidades pequenas e pelo litoral durante a temporada. Em sua voz, era tudo tão simples, e ao mesmo tempo perigoso e inseguro, assim - pelo menos foi assim que me senti. "Viajei" pelo que pareceram horas, talvez dias. Completou com o sentido da vida (lembro de ter torcido para ele dizer "42", mas não disse), a ciência de tudo, o segredo por trás de todas as crenças e quando vi estava de volta em meu corpo, debaixo da chuva, olhando para aquela figurinha curiosa, em choque e absolutamente certo de que se tratava de um alienígena - disso não havia dúvidas, não havia o que questionar. Mas antes que eu conseguisse ao menos terminar de processar que se tratava de um alienígena e do que isso significava, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ele falou, de maneira terrivelmente definitiva:

"Mas é óbvio que uma civilização que acredita que a cor da cueca e da calcinha vai trazer algum tipo de benefício em seus destinos em um banal novo ciclo ao redor do sol não está pronta para esse conhecimento ainda. Voltarei em alguns milênios", e estalou os dedos em frente ao meu nariz no exato momento em que os fogos começaram, com explosões altas e brilho intenso. Pego de surpresa, virei por um instante para os fogos e quando olhei de volta ele não estava mais lá. Na verdade, sua presença era uma mera sensação - não tinha nem mesmo certeza de que ele havia estado lá. Só que tinha certeza. Não sei explicar como exatamente. E não conseguia lembrar de nada do que ele me contou. Isso aconteceu já no momento em que estalou os dedos.

Apenas ecoam no fundo da minha mente essas últimas e definitivas palavras, em tom tão cruelmente sereno: "não está pronta para esse conhecimento". E sei que ele estava certo. Terrivelmente certo.
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16/12/11

Egoísmo

Todo mundo é egoísta. Em maior ou menor grau, claro. A gente é egoísta até sem perceber, às vezes. Ou até quando acha que está fazendo algo totalmente altruísta. (lembrei daquele episódio de Friends agora). É normal, a raça humana é assim, vem de fábrica - não sou psicólogo mas tenho certeza de que tem algum estudo renomado sobre isso, pode procurar.


E eu sempre me considerei um cara bastante altruísta. Sempre gostei de ajudar os outros e tive consciência – e certa vergonha – quando meu lado egoísta surgiu, sempre em coisas menores. Ou foi o que pensei. A gente vai crescendo e evoluindo e repensando a vida e nessas percebi que sou muito mais egoísta do que pensei. Assustadoramente, até.


Meus pais sempre foram meio esquisitões, meio fechados, na deles, e eu cresci com um anseio muito grande de independência. E aos 17 já trabalhava e pagava todas as minhas próprias contas (exceto aqueles “detalhes” de casa como empregada, água, gás, luz...), aos 19 saí de casa para estudar na UNICAMP e desde então, tirando um período em que voltei para SP e voltei a ter aqueles detalhes cuidados, tive minha vida praticamente separada da deles. E me orgulhava de não dar trabalho. Minha irmã, pelo contrário, continuou em casa (e até hoje), e sempre contou com a ajuda deles para várias coisas – e eu, me achando superior, olhava para isso com até um pouco de desprezo. Mas isso é ridículo. Eles podem ter ajudado a minha irmã mais freqüentemente, mas quando me ajudaram, foi de maneiras (e com valores) muito maiores. E eu achando que era super auto-suficiente... pffff


Mas o que realmente me atingiu como um porrete na testa disso tudo foi pensar no quanto eu fui egoísta com eles. Ajudar é uma maneira – para pessoas tão fechadas – de participar das nossas vidas, de fazer parte de alguma maneira e de, claro, ver os filhos bem. E eu privei meus pais disso durante a vida toda, quase a metade da minha vida toda, até porque quando aceitei a ajuda foi sempre relutando, e não aproveitando; sempre com ressalvas e um sentimento negativo de insuficiência, ao invés de alegria e compartilhamento.


Devo desculpas aos meus pais, mas o pior (para minha culpa) é que eles não esperam por isso. E nem mesmo aceitariam. Só estão lá, esperando a chance de eu deixá-los me ajudarem. E assim participarem um pouquinho da minha vida.


Às vezes consigo ser tão escroto que me choca.

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21/10/11

Comentários

Eu geralmente respondo os comentários nos próprios comentários, é legal interagir com as pobres almas que quem lê o blog e se dá ao trabalho de comentar. Mas algumas pessoas especiais merecem atenção especial. É o caso da Aline, pessoa muito especial que visitou um post de algumas semanas atrás, uma piadinha sobre a Gillian Anderson e a Nigella. Ela deixou o seguinte comentário:
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Aline Freitas disse...
Comentário de quem realmente não entende nada de alimentação saudável, deve ser gordo e deve dizer que se acha feliz sendo assim. Traumatizado. O nome do blog da diz tudo... é um ogro mesmo... que deve comer só porcaria e achou essa fórmula ridícula de justificar sua alimentação péssima... mau gosto esse blogzinho, aposto que vai apagar esse post, para que as pessoas não compartilhem da mesma opinião que a minha... fraquinho!!!
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Foto: pessoa muito especial
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Sabe, Aline, eu não ia responder porque mamãe ensinou que devemos ser superiores a pessoas ignorantes que fazem ofensas gratuitas. Mas o que você falou realmente me magoou... porém me abriu os olhos – pegou no meu ponto fraco: o fato de que estou gordo! Sabe, eu venho me enganando de que sou feliz sendo assim, mas já tentei perder peso e é muito difícil, comer é muito bom e tudo que é bom engorda, não é mesmo? Vou deletar o post, de verdade, e mais que isso - já que achou fraquinho, vou deletar o blog todo. E vou além, vou me deletar logo é da vida e me matar!
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Aiai, o que eu faria sem você? <3

HAHAHAHAAHAHHAHAHAHAAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA *engasga*
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Nossa, Aline, quanta raiva por algo tão tolo! Você sabe que isso é frustração sexual, né? Ser muito reprimida dá nisso, recomendo dar uma boa trepada para relaxar um pouquinho. Mesmo que você seja MUITO feia, sempre vai ter algum bêbado disposto a te comer. Sério, homem é idiota assim mesmo. E ó, vai te fazer bem! Vou te ajudar com algumas dicas, que nunca testei (graças a deus nunca tive esse problema) mas foram recomendadíssimas por trolls do twitter e trolls colegas de trabalho especialistas renomados:
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1 - Dê de maneira normal, na posição que considerar mais agradável.

2 - Caso o item 1 não resolva, dê meia hora de bunda. Anal às vezes desentope essa frustração constipada toda.
3 - Caso nem o item 1 nem o item 2 resolvam, lave uma pia de louça. Ou uma pia e meia.
4 - E uma trouxa de roupas.
5 - Nada resolveu? Jé-suis, então você é simplesmente mal resolvida mesmo. Tem certeza de que não é gay? Hoje em dia isso é bem aceito pela sociedade, querida. Libere-se!
6 - Caso item 5 afirmativo, 3 palavrinhas fariam maravilhas: strap on e KY.
7 - Caso item 5 negativo, gostaria de recomendar um 38 recomendo terapia.
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A menos que você seja menor de idade (o que explicaria as ofensas de primário e a falta de capacidade de interpretação de texto / raciocínio – bom, explica se você tiver menos de 8 anos). Nesse caso, por favor não faça nada de natureza sexual. Comece a lista do item 3, e pule o item 6. Releia.
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Quanto a sua sugestão de apagar o post...
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HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH²
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Sério, não dá para explicar DE NOVO que o post é uma brincadeira, não adianta apelar para o lado racional de alguém burra demais para perceber isso sendo que o texto DIZ que é uma piada. Faz o seguinte: lê a lista de novo para garantir assimilação.
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MAS a raivinha tola gerou um post (ruim, mas ainda assim), então acho que devo um obrigado a você! :* no S2
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15/10/11

Bye bye Jobs



Já faz 11 dias que o Steve Jobs morreu, e eu não tinha comentado muito sobre o assunto ainda. Mas o fato de que depois de tanto tempo isso ainda gera tanto pano para a manga me fez resolver escrever sobre o assunto (até para manter o blog vivo, ainda que respirando por aparelhos).
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Não, na verdade não é sobre a morte do Steve Jobs que eu quero falar. O que realmente me desperta o desejo de dar uma opinião são as pessoas escrotas (como sempre) que consideram o cara Deus ou que criticam quem acha o cara fera.
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Também não vou perder tempo dando a biografia do cara: se está curioso(a), lê a Wikipedia. Basta saber que o cara foi um dos fundadores da Apple e basicamente criou a Pixar (após comprá-la da Lucasfilms, para quem não sabe ele não fundou a Pixar - mas sem dúvida fez dela o que é hoje), entre inúmeras outras coisas que fez. Ou seja: o cara é um dos responsáveis pelo MUNDO hoje ser do jeito que é, ponto. Sua influência é imensurável, tanto nos aspectos tecnológicos quanto culturais. Mimimis a parte, a moral da história é essa - se hoje você está lendo esse texto (que falta do que fazer, hein, meu? ;P ), agradeça ao Steve Jobs. Sim, entre outros caras, mas quê importa? Foi ele quem morreu (e quem vier falar do cara da linguagem C vai levar uma voadora na orelha! Sifudê).
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Mas nenhum argumento me deixa mais irritado com a humanidade do que dois conceitos que ainda ouço freqüentemente: o argumento de que o cara era um santo, um homem perfeito e infalível e completamente altruísta e a famosa frase "Ah, ele não era tão genial e sim usava as pessoas, só fez por dinheiro, era um chefe cruel, grosso, estúpido, bobo feio chato e carademelão, não é modelo para ninguém".
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Mas confesso que as primeiras me incomodam menos do que as segundas. Na verdade, não consigo levar a sério quem idolatra o Steve Jobs e ao mesmo tempo tenho plena consciência de que não sou ninguém para criticar e cada um tem o direito de ter o ídolo que quiser, é uma escolha puramente emocional. As pessoas têm até o direito de não pesquisar sobre seus ídolos e falar merda, achando que eles inventaram tudo que existe, da roda ao iPhone 4S. Não consigo não ser demasiado condescendente com esse povo, então nem vou falar tanto dessa parte - nem sei muito bem o que é esse negócio de ter ídolo, o mais perto que cheguei desse tipo de idolatria foi na adolescência com a Silvia Saint.
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Acima: também não é deus (pena),

mas é muito melhor que um iPhone

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Meus amigos e minhas amigas, vou falar algo bastante chocante e só falarei uma vez, então prestem atenção (ou não, e se for esse o caso releiam depois quantas vezes quiserem - ou precisarem - para entender direitinho): Steve Jobs fundou e presidiu uma EMPRESA, não uma RELIGIÃO (e sei que seus fãs mais exaltados - aka súditos, aka macfags - vão discordar disso, mas acreditem em mim, é um fato). Ele não fez o que fez para ser modelo para ninguém - e se virou modelo de algo, devia ser de motivação profissional ou modelo de visão de negócios e SÓ. Ele não reconheceu a filha (até aí, se você é brasileiro deve ser fã do Pelé e o cara tem mais processo de paternidade contra ele que o iPhone tem cópias e você continua achando o cara o melhor jogador de futebol do mundo da história), foi um grande filha da puta em vários aspectos. E ele queria sim ganhar dinheiro, e ganhou - muito, mas MUITO MESMO. Mas nos últimos anos trabalhou com salário anual de 1 (UM) dólar. Isso não faz dele um santo assim como ganhar dinheiro não faz dele o capeta. Ele era sim um chefe dificílimo de lidar, intransigente, grosso, mandão, controlador. Mas a porra da empresa era "dele". Trabalha lá quem quer (e não venham com papinho de "quem precisa", tem empresa bagaráleo no mundo, vai pra Apple quem quer), e ele sendo o chefe as coisas são do jeito dele e acabou. Foda-se! Qualquer dessas coisas tira o mérito do cara?
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Negar a importância do Steve Jobs e criticar quem ficou chateado com sua morte é mais ou menos como tentar negar que Henry Ford foi responsável por revolucionar os meios de transporte. Sem ele o mundo também não seria como é. Ele não criou o automóvel em si, não era o maior gênio de seu tempo. A "única" coisa que fez foi criar uma maneira de baratear a produção - e portanto popularizar, e é essa a chave - e assim fazer com que o mundo fosse capaz de ter acesso a carros, hoje uma frota de aproximadamente 1 BILHÃO de carros. Sem ele, provavelmente carros ainda seriam tão caros que a frota seria algo próximo da de helicópteros, algo em torno de 100 MIL (civis) em operação no mundo. "Ah, alguém mais pensaria nisso" - quem garante? Olhar para trás hoje é muito fácil, mas naquela época ninguém teve a sacada que ele teve e não existe maneira alguma, sem soar como um absoluto idiota ignorante, de declarar com certeza absoluta que mais alguém pensaria no que ele pensou. Isso não existe, não dá para saber - de repente mais alguém teria pensado, de repente não. O que se sabe é o que aconteceu, e só. E, no caso em questão, o que aconteceu foi que Steve Jobs estava no centro da maior revolução tecnológica da história e criou o mundo que conhecemos hoje. Não sozinho, não foi o único, não foi "bonzinho" e não foi o maior gênio envolvido nisso, mas foi protagonista desse processo.
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E você, o que tem feito ultimamente?

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26/08/11

Comer saudável o escambau!

Piadinha tirada do JumboJoke.com (traduzido pelo titio ogro aqui):


"Gillian McKeith é uma nutricionista escocesa guru da saúde que apresenta programas de TV no Reino Unido (seu programa "You are what you eat" - "Você é o que você come" passa na TV a cabo no Brasil) que propõe uma abordagem holística à alimentação e saúde, promovendo exercícios e uma dieta vegetariana de frutas e vegetais orgânicos. Ela recomenda "dietas de desintoxicação", irrigação do cólon e suplementos, declara que fermento é danoso, que a cor da comida é significativa nutricionalmente e exalta a utilidade de mapear suas espinhas e o exame detalhado de suas fezes e urina. Seu livro best-seller é chamado "You Are What You Eat".

Ela tem 51 anos de idade (nascida em Setembro de 1959), e essa é uma foto sua:







Nigella Lawson escreve sobre comida, é jornalista e Chef de programas de TV na Inglaterra. Ela só come carne, manteiga e sobremesas, e seus pratos são sempre preparados com esses itens em abundância. O jornal inglês The Sunday Telegraph chamou seu livro best-seller "How to Eat" de "o mais valioso guia de culinária publicado nessa década."Ela também tem 51 anos de idade (nascida em Janeiro de 1960, 5 meses de diferença).

E essa é uma foto sua:







Preciso dizer mais? Caso encerrado."

Se você achou que as fotos são meio tendenciosas para exaltar a diferença, eu também achei. Então seguem fotos do Google Images (escolhi, entre os primeiros resultados de ambas, as imagens que pareceram ter menos photoshop; sendo a melhor da Gillian e a pior da Nigella) para comparar:






É, não teve jeito: CASO ENCERRADO 2. Nigella Wins. Fatality.
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28/06/11

Tommy e os Unicórnios

Tommy era um garoto norte americano de 10 anos. Seu nome foi uma homenagem à ópera rock da banda inglesa "The Who", a banda preferida de seus pais yuppies. Tommy era uma criança normal, ia a uma escola normal e era parte de uma família perfeitamente normal.

Mas ele tinha uma pequena e marcante diferença: Tommy acreditava em unicórnios. Não no sentido feminino da coisa, de desenhar unicórnios nas margens dos cadernos da escola, com laços rosa e sobrevoando arco-íris e corações. Ele os desenhava, sim, mas as versões reais, com cada detalhe. Sabia de cor a mitologia dos unicórnios, sua origem e os estudos dos gregos (que os situavam na Índia, o que depois ficou provado ser um engano grosseiro - mas pelo menos mapearam algumas espécies, como o unicórnio de chifre vermelho, preto e branco, além do tradicional puro branco), hebreus, chineses e os sábios medievais, que realmente se aprofundaram no assunto.

Seus pais não ligavam para sua estranha mania. Afinal, algumas crianças colecionavam latas, outras liam gibis. Se seu filho queria ler sobre unicórnios e estudar o assunto, para eles era perfeitamente inofensivo.

E Tommy sabia mesmo quase tudo sobre os unicórnios.

Nas férias de verão daquele ano, Tommy foi para um acampamento de férias próximo a uma reserva florestal. E foi então que aconteceu. Durante uma caminhada por um trecho particularmente afastado da floresta, Tommy viu um vulto de unicórnio. Quando gritou (assustando a todos) e contou o que viu, seu instrutor (um jovem mal saído da puberdade chamado Doug, que fazia faculdade de Sociologia) e o guia do parque (um senhor de meia idade com um farto bigode marrom com as bordas loiras de nicotina chamado Steve) lhe deram uma bronca, o chamaram de infantil e o mandaram “crescer”. Mas Tommy VIU. Mais do que ver, ele SABIA.

Naquela tarde ao voltar para seu chalé abriu prontamente seus estudos, seu caderno com resumos e os mapas que havia tirado coloridos da impressora do seu pai e fez mais algumas anotações. Após olhar novamente seus principais resumos, tendências climáticas. Fazia sentido que houvesse espécies naquela região! Como ele podia ter sido tão cego?? Mas agora que estava ali, não deixaria a oportunidade escapar. Aquela noite era de lua cheia. Seria clara e o trecho de caminhada ficava a menos de 5 quilômetros do acampamento. Era só fugir durante a noite e aproveitar a claridade para caminhar até o parque. Previu que até a manhã do dia seguinte estaria de volta, com uma história e tanto para contar. E assim fez.

Caminhou por horas, mas a excitação pelo que viu e pelo que sabia que encontraria não o deixava sentir cansaço ou diminuir o passo. Caminhava com um sorriso de orelha a orelha, quase correndo. Imaginava o que contaria para seus pais, para o mundo! Volta e meia passava a mão em sua câmera fotográfica para ter certeza de que estava ali. E ao chegar ao ponto em que tinha visto o vulto, não precisou entrar muito na floresta para ver-se cercado das criaturas mágicas. Seus olhos arregalados pareciam saltar das órbitas e seu sorriso parecia rasgar as bochechas. Ele não conseguia acreditar. A câmera balançava esquecida em seu pescoço.

- Olá, pequeno humano! Você deve acreditar muito em unicórnios para ter conseguido nos encontrar, disse o líder dos unicórnios. O garoto conseguiu apenas sacudir a cabeça que sim.
- Muito bem, muito bem. Não nos revelamos para qualquer um, mas você é realmente especial.

Ele sabia quase tudo de unicórnios. Uma das poucas coisas que não sabia era de que eram capazes de falar. “Acho que ninguém sabia disso”, pensou.

- Como prêmio, vamos levá-lo ao nosso reino mágico! Voaremos através das nuvens, e lá você conhecerá o líder dos unicórnios e o palácio de prata!, disse o unicórnio para o garoto maravilhado.

Tommy sorria. Não podia perder aquela oportunidade de jeito algum. Seus pais iriam entender, afinal ele veria algo que ninguém na história registrada viu. E aceitou, entrando mais profundamente na floresta com o grupo de belos unicórnios.

Ele nunca mais foi visto.

Tommy sabia quase tudo de unicórnios. Além da habilidade da fala, havia apenas mais uma coisa que ele não sabia. Importantíssima.

Ele não sabia que unicórnios, os belos animais mágicos que durante toda a era medieval foram símbolo de pureza e graça, são carnívoros.
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14/04/11

Carta de Aniversário

Oi, filhotinha! Você ainda é pequenina demais para ler essas linhas mal escritas, mas acho que vai ser um registro interessante para quando puder ler. E esse assunto sempre me emociona, porque afinal você é a coisa mais importante que já aconteceu na minha vida, juntinho com a sua mãe. Homenagens aqui são pouco, mas qualquer coisa que eu fizer para vocês vai ser pouco perto do quanto vocês fizeram e fazem por mim, só de existirem. Só sendo fofas. [/piadainterna] Você não sabe, mas há exatamente um ano nessa mesma hora, nesse mesmo minuto, nesse mesmo SEGUNDO (ok, vai, estou aproximando - não lembro o segundo), eu estava no trabalho terminando uma reunião quando meu celular tocou com a notícia mais felomenástica do mundo. Sabendo que você estava para chegar, pedi desculpas e atendi:

"Oi, Mô, estou terminando uma entrevista, posso ligar em 15 minutinhos?", disse eu sem perceber a aflição na voz dela. Tolinho. *

Não pode não, sua filha quer nascer." (detalhe que nessas horas, bebê, você é só minha filha viu?)

"..." emudeci por uns 3 ou 4 segundos que pareceram uma eternidade. O tempo parou. Meu coração fazia eco, latejando no peito. "Estou indo para casa," consegui dizer.

Pedi licença e encerrei a reunião, saindo quase correndo para o estacionamento. E quando dirigi para casa, o mundo parecia mover em câmera lenta. Eu só conseguia pensar em chegar em casa e ajudar sua mãe no que ela precisasse. Por sorte/destino/planejamento seus avós cariocas estavam por aqui também e já davam uma força. E como você sabe muito bem, nada como a mãe nessas horas, né? Mas gosto de achar que a minha presença era importante para sua mãe também. Enfim, cheguei em casa em míseros 18 minutos e aguardei na garagem sua mãe vencer a mais recente contração e recuperar a capacidade de andar. Pois é, meu amor, a coisa é dolorida assim mesmo. E você valeu cada contração da sua mãe, cada momento de tensão e pânico puro meu.

Nesse dia seu pai descobriu algo importante sobre ele próprio: sob pressão, ele é do tipo que age, não do tipo que trava (lembre-se disso quando chegar tarde da balada pela 1a vez, viu?). Sua mãe entrou no carro, seus avós também e partimos para o hospital mais próximo, aquele que é seu xará. Apesar do que sua avó provavelmente vai contar a vida inteira (oi, Rachel, tudo bem? :)), eu não quase atropelei ciclista nenhum. Apenas incentivei o rapaz a sair da frente mais rápido com uma pequena buzinada, mas para quem não estava dirigindo com certeza pareceu que seu papai estava doidão, dirigindo como um maníaco. Não é verdade. PARECIA isso, tenho certeza, mas eu estava pensando e agindo com maior clareza do que jamais tive. Sério. Pode acreditar no seu pai ou ir para o quarto de castigo. heheh

Chegamos ao hospital e aí tive meu primeiro lapso: o insano (por sua culpa, hein!) do seu pai abandonou o carro na recepção. Simplesmente saiu berrando "Parto! Parto!" até trazerem uma cadeira de rodas para pegar você e sua mãe e saiu seguindo o enfermeiro pelos corredores, deixando para trás carro (com a chave na ignição), vovô e vovó. Viu como você e a mamãe são importantes?

Passamos pelo que devem ter sido TODOS os corredores do hospital, quase os 42 km de uma maratona, e finalmente chegamos à área de parto. Onde a mulher disse para a gente "Calma" e onde era mais importante a carteirinha do plano médico (que, por óbvio, ficou com sua vó 37,5 km atrás de nós ainda) do que chamar alguém para atender sua mãe. Mas lidei com tudo isso também com graça e classe dignas da nobreza espanhola (alguém aí falou "inquisição"?) até que sua mãe fosse, finalmente, atendida. E aí viram que a coisa era para valer e chamaram os médicos. Eu não tinha dúvida, mas parece que muitas mulheres sentem contrações na etapa final da gravidez que não são as "de verdade" (doem de verdade, dizem), então o pessoal de hospital assume que qualquer uma que aparece na verdade se enquadra nessa categoria até prova em contrário. Deve ser melhor assim, mas para pais de primeira viagem é meio assustador.

Foram algumas horas de espera até finalmente o parto em si começar. Mas depois de começar... como foi rápido! (sua mãe certamente discordará dessa afirmação) Em 30, 40 minutinhos você saiu berrando da sua mãe, toda suja, escandalosa, inchada e LINDA. A coisa mais maravilhosa que eu já vi. Eu já te amava, mas ali me apaixonei de vez, perdidamente. A enfermeira levou você para a sua mãe só para uma foto rapidinha, que ela precisava descansar e você precisava ser limpa, medida e pesada. Eu sou muito sortudo e não precisei deixar o seu lado por um minuto - quer dizer, pelo menos até levarem você para o berçário. Acompanhei enquanto a enfermeira levou você para a sala ao lado, cortar direitinho e limpar o cordão umbilical, limpar você um pouquinho e te pesar. E você aos berros, chorando loucamente, sem entender nada do que estava acontecendo que você não estava mais no lugar quentinho e fechado onde passou os 9 meses anteriores.

Aí eu cheguei mais pertinho do seu ouvido, abaixei, e comecei a falar com você. Disse “Oi, filhinha! Eu sou o seu papai. Bem vinda ao mundo. A gente vai cuidar muito bem de você, te amar demais...” e fui falando tudo que as lágrimas permitiam, contando um monte de coisa que a gente ia fazer (algumas até já fez), quem a gente é, e sei lá, um monte de outras coisas que não lembro porque nessas horas a gente pensa com o peito e não com o cérebro. E aí aconteceu outra coisa mágica, que eu nunca vou esquecer (e estou chorando tudo de novo, emocionado tudo de novo, enquanto escrevo): logo que comecei a falar, você – que nem tinha aberto os olhos ainda – virou o rostinho para mim e começou a parar de chorar. Estava reconhecendo minha voz, será? E foi parando, parando, forçando os olhos, parando de chorar e, assim que parou completamente, abriu os olhos curiosos e viu seu papai pela primeira vez. Filha, é seu aniversário mas o maior presente do mundo foi esse seu para o seu velho. Nunca vou conseguir agradecer o suficiente por ele.

Eu te amo.

Papai


*editado porque já fui devidamente lembrado pela amável Cake que o diálogo ocorreu de maneira diferente da que escrevi. Nada como um cérebro de mulher nessas horas: ela estava PARINDO e lembra melhor que eu da conversa, powtaqueospa. O.o

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