É engraçado como algumas coisas aparentemente nada a ver nos emocionam.
Por exemplo: recebi hoje um link para a eulogia ao Steve Jobs escrita por sua irmã. Ajuda que ela é uma escritora premiada e professora de literatura em duas das universidades de maior prestígio dos EUA (ou seja: sabe escrever <strike>diferentemente da maioria dos blogueiros</strike>), mas foi o conteúdo que acabou me hipnotizando. Fiquei praticamente catatônico olhando para o celular durante toda a leitura, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Pensei em como serei lembrado quando morrer. Em como gostaria de ser lembrado, e o que faço para isso, ou o que deveria fazer. E mais do que isso, minha vida inteira passou diante de meus olhos, como se a reflexão dela sobre sua vida e seu relacionamento com o Jobs tivessem algo a ver com a minha vida, protegida e privilegiada (spoiler: não tem). O engraçado, e mais emocionante, foi que não vi apenas as coisas que já me aconteceram; vi coisas pelas quais passarei (ela fala da formatura do filho do Jobs, de viagens e encontros da família, etc), e com a doença dele, imaginei o que deve ser doloroso perder tudo isso, todos os momentos que virão.
Isso mexeu muito comigo. Eu acho que estou muito emotivo depois de ter filhos (sim, meu segundo, o pequeno, já chegou. E essa história merece ser contatada com muito mais calma e cuidado do que esta), muito mais do que me permiti ser a vida inteira. Após algumas decepções, eu nunca mais chorei dos 12 aos 31 anos, quando nasceu minha filha. Desde então choro quase todos os dias, de emoção de tê-la na minha vida, da família que eu e a Monicake montamos, do sorriso que ela dá quando me vê, e de correr o apartamento inteiro para me dar um abraço quando chego em casa. De ouvir "papai". Não existe nada mais lindo para mim do que ser chamado de "papai" (e filha, se um dia ler isso, acate um pedido: nunca, nunca, nunca pare). Mas o fato é que uma vida bem vivida, meus amigos, seja morrendo aos 40 ou aos 100, ser querido de verdade pelas pessoas e deixar um legado é tudo que podemos esperar.
Espero que eu deixe.
Para quem quiser ler a belíssima eulogia de Mona Simpson para o irmão (em inglês), o link é esse: http://www.nytimes.com/2011/10/30/opinion/mona-simpsons-eulogy-for-steve-jobs.html?pagewanted=1&_r=0
Ogrices
28/03/13
17/12/12
O que Connecticut diz sobre nós?
Estou pensando sobre a tragédia de Connecticut. Como pai, é basicamente o meu pior pesadelo, realizado. Inconcebível, aterrorizante, imperdoável. Todo o sofrimento daquele caso do Realengo (e outros tantos ao redor do mundo) novamente. Me recuso a dizer ou escrever aqui os nomes dos covardes responsáveis pelas tragédias. Eles não terão, pelo menos em mim, a posteridade que esperavam. É a minha maneira de puní-los.
Claro que é pouco. Ridiculamente pouco. Mas cada um lida como pode.
Já acho covarde, medíocre e fraco quem sai atirando a esmo. Mas tenho que acreditar que há um lugar especial no inferno para quem machuca crianças - de qualquer maneira (pena que não acredito em inferno. Mas acredito em carma, BITCH).
De qualquer forma, acho que a essa altura já disseram tudo que poderia ser dito sobre o caso em si. Confesso que não li ou vi quase nada - sempre que tentei, as primeiras linhas, os primeiros depoimentos, já faziam meus olhos encherem d'água. Mas estou pensando, desde que ouvi falar as primeiras coisas sobre o que aconteceu, no porquê dessas coisas acontecerem com tanta frequência em países onde teoricamente as pessoas tem mais qualidade de vida e onde têm melhor nível educacional, mais conforto. O que estou pensando aqui é que o ser humano é muito, muito arrogante.
Explico.
Achamos que evoluímos e estamos tão acima dos outros animais (tão acima que quase sempre esquecemos que somos, nós próprios, animais) por conta de nossa capacidade de comunicação e da habilidade de pensar. Na verdade o que percebo cada vez mais é que dominamos muito pouco essas habilidades. Principalmente a de pensar. Nosso organismo desenvolveu a capacidade, mas acho que ainda não a domamos - nem nos damos a oportunidade de fazê-lo, porque ainda estamos na infância desse processo: na fase de explorar nossos limites. Vamos desenvolvendo a tecnologia e relações interpessoais complexas, e jogos, e conectando o planeta inteiro quando nem ao menos podemos ficar sozinhos, refletindo, sem enlouquecer. Vemos a questão das solitárias em prisões ou qualquer situação de isolamento e a maioria das pessoas não aguenta. Claro que nem todo mundo pega uma arma, alguns simplesmente surtam.
![]() |
| C.Q.D |
Precisamos estar ocupados e pensando em algo, ou o ato de pensar em si nos devora (nossa, empolgadaço agora para entrar em uma complexa análise de como o mito da esfinge pode representar perfeitamente essa luta introspectiva: "Decifra-me, ou devoro-te". Mas não vou. De nada.). E talvez seja por isso que esses surtos violentos aconteçam na maioria das vezes em países mais "desenvolvidos": são os locais onde as pessoas têm mais tempo livre, sós com seus pensamentos (historicamente têm menos preocupações, ao mesmo tempo em que são sociedades culturalmente mais fechadas e/ou individualistas). E aqueles com menor capacidade de se conectar (algumas pessoas o fazem através de um videogame online e já estão satisfeitas), que acabam isolando-se mais, não aguentam. E quase sempre é o caso de quem faz algo assim, os comentários são "era recluso", "parecia bonzinho, mas não o conhecia". Não. Ninguém o conhecia.
Eu provavelmente estou errado sobre essa ser a causa, talvez até sobre ser mais frequente em países desenvolvidos (e se for o caso, tenho certeza de que aparecerão diversos bons samaritanos para
Mas quanto mais observo as pessoas, mais convicto fico de que estou certo quanto à nossa imaturidade com relação ao pensar. Quantas pessoas você conhece que:
1) Não sabem ficar sozinhas?
2) Não pensam antes de agir?
3) Estão sempre muito ocupadas, correndo de um problema para o outro, e engolem seus sentimentos? (de maneira exagerada)
4) Se metem na vida dos outros (seja na boa, "a amigona", ou intrometida mesmo,
5) Fazem merda mas não pensam muito sobre isso porque já estão ocupando-se fazendo outras merdas? (o famoso "tapando o sol com a peneira")
Entre as pessoas que perguntei (foi uma amostragem melhor do que as últimas pesquisas do Datafolha), 100% delas se enquadra ou conhece alguém que se enquadra em pelo menos uma dessas 5 categorias - e muitas, muitas patéticas vezes, mais de uma. Quando percebermos que somos realmente tão subdesenvolvidos, talvez possamos trabalhar em evoluir o que realmente importa: nós mesmos.
Triste.
12/11/12
Susto
Semana passada, por conta de uma tosse chatinha que já vinha me enchendo o saco há quase um mês. Eu na verdade já tinha decidido comprar um xarope e pronto (apesar de já ter tomado 2 diferentes e não terem tido efeito), mas graças à insistência de uma pessoa linda, me dirigi ao pronto socorro.
E olha só, a tosse era na verdade uma pneumonia “moderada para grave” e acabei sendo internado no mesmo dia (sem correria, aliás levaram algumas horas para me liberarem um quarto). Começou com uma sinusite que precisava de um raio-x da face, e um “som” que fez com que o médico suspeitasse de algo e pedisse um raio-x do peito também. Esse raio-x mostrou uma pneumonia, que podia ser só um princípio ou poderia ser mais séria, e isso levou a uma tomografia. E lá fui eu, com antibiótico na veia (e andando com o saquinho a tiracolo, que nem em filme), para a máquina. A tomografia levou uns 25 minutos e o resultado levaria ainda mais tempo, quase 2 horas.
Quando veio o resultado o médico me olhou com cara de espanto, repetindo as perguntas sobre dor, falta de ar, cansaço. Eu não tinha sintoma algum, mas meu pulmão estava uma nhaca. E aí, com bastante cuidado, ele sugeriu me internar. Preocupado com a princesa e a rainha, eu neguei. Me dispus a voltar para tomar o antibiótico, se fosse o caso, mas precisava ir para casa ajudar. No fim, após eu dar uma teimada (afinal, sem sintoma algum, eu realmente não conseguia reconhecer que estava com alguma coisa tão séria assim), li as entrelinhas da delicadesa dele – “olha, seria melhor ficar”, “você seria melhor cuidado”, “é muito mais do que só o antibiótico, você vai fazer inalações, fisioterapia pulmonar, etc.” – e aceitei que teria que ficar. E enxerguei algumas coisas claramente (apesar de já saber) na rápida sucessão de eventos que se seguiu.
Minha mulher é especial demais. Chorou quando o médico falou que eu tinha que ser internado e segurou a barra forte quando eu sugeri que não queria ficar. Me deu bronca, me apoiou, cuidou de mim e foi a melhor mulher que eu poderia imaginar (ou merecer).
Minha irmã é realmente a melhor irmã do mundo. Liguei para ela e não houve um segundo de dúvida, de “tenho mesmo que ir”, de nada; apesar de ela estar provavelmente super cansada, retornando de uma viagem. Quando eu preciso, ela está sempre lá. <3
Meus pais, apesar de um pouco neuróticos demais, também. E veio meu pai, com toda a sua fobia de hospitais, ficar comigo nos 2 dias e noites em que fiquei internado. Mesmo eu pedindo para não vir – não quero nem cansar nem estressar o velho, afinal, e nunca tive problema em ficar sozinho. E foi bom, é claro, ter companhia. Mesmo tendo que assistir a jogos de tênis chatos.
E foram 2 dias de exames e checagens de 3 em 3 horas, fisioterapia pulmonar, antibióticos e outros remédios. E ser pinicado daqui e dali, várias vezes. Mas no fim das contas, nas 2 visitas que o infectologista fez, ele acabou elogiando minha “excelente condição clínica” e recebi alta sem maiores surpresas.
Mas o que aconteceu comigo em um susto desses, no final das contas, foi eu pensar bastante. Na vida (brega). Nas pessoas que ama (breeega). Em nós mesmos (breeeeeeeeeeega). É muita breguice, eu sei, mas é realmente o que aconteceu.
Só não sei ainda se gostei do que vi.
.
E olha só, a tosse era na verdade uma pneumonia “moderada para grave” e acabei sendo internado no mesmo dia (sem correria, aliás levaram algumas horas para me liberarem um quarto). Começou com uma sinusite que precisava de um raio-x da face, e um “som” que fez com que o médico suspeitasse de algo e pedisse um raio-x do peito também. Esse raio-x mostrou uma pneumonia, que podia ser só um princípio ou poderia ser mais séria, e isso levou a uma tomografia. E lá fui eu, com antibiótico na veia (e andando com o saquinho a tiracolo, que nem em filme), para a máquina. A tomografia levou uns 25 minutos e o resultado levaria ainda mais tempo, quase 2 horas.
Quando veio o resultado o médico me olhou com cara de espanto, repetindo as perguntas sobre dor, falta de ar, cansaço. Eu não tinha sintoma algum, mas meu pulmão estava uma nhaca. E aí, com bastante cuidado, ele sugeriu me internar. Preocupado com a princesa e a rainha, eu neguei. Me dispus a voltar para tomar o antibiótico, se fosse o caso, mas precisava ir para casa ajudar. No fim, após eu dar uma teimada (afinal, sem sintoma algum, eu realmente não conseguia reconhecer que estava com alguma coisa tão séria assim), li as entrelinhas da delicadesa dele – “olha, seria melhor ficar”, “você seria melhor cuidado”, “é muito mais do que só o antibiótico, você vai fazer inalações, fisioterapia pulmonar, etc.” – e aceitei que teria que ficar. E enxerguei algumas coisas claramente (apesar de já saber) na rápida sucessão de eventos que se seguiu.
Minha mulher é especial demais. Chorou quando o médico falou que eu tinha que ser internado e segurou a barra forte quando eu sugeri que não queria ficar. Me deu bronca, me apoiou, cuidou de mim e foi a melhor mulher que eu poderia imaginar (ou merecer).
Minha irmã é realmente a melhor irmã do mundo. Liguei para ela e não houve um segundo de dúvida, de “tenho mesmo que ir”, de nada; apesar de ela estar provavelmente super cansada, retornando de uma viagem. Quando eu preciso, ela está sempre lá. <3
Meus pais, apesar de um pouco neuróticos demais, também. E veio meu pai, com toda a sua fobia de hospitais, ficar comigo nos 2 dias e noites em que fiquei internado. Mesmo eu pedindo para não vir – não quero nem cansar nem estressar o velho, afinal, e nunca tive problema em ficar sozinho. E foi bom, é claro, ter companhia. Mesmo tendo que assistir a jogos de tênis chatos.
E foram 2 dias de exames e checagens de 3 em 3 horas, fisioterapia pulmonar, antibióticos e outros remédios. E ser pinicado daqui e dali, várias vezes. Mas no fim das contas, nas 2 visitas que o infectologista fez, ele acabou elogiando minha “excelente condição clínica” e recebi alta sem maiores surpresas.
Mas o que aconteceu comigo em um susto desses, no final das contas, foi eu pensar bastante. Na vida (brega). Nas pessoas que ama (breeega). Em nós mesmos (breeeeeeeeeeega). É muita breguice, eu sei, mas é realmente o que aconteceu.
Só não sei ainda se gostei do que vi.
.
16/05/12
Invictus
Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
for my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
looms but the horror of the shade,
and yet the menace of the years
finds, and shall find me, unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
"Invictus", William Ernest Henley
Por que não consigo lembrar de nenhum poema de autor brasileiro que seja tão motivador quanto esse? De qualquer modo... Brilhante.
.
14/04/12
DOIS
Dizem que não se deve fazer isso, mas vou abrir o texto com um mega-clichê: o tempo voa.
Mas é sério (clichês normalmente viram clichês por serem coisas que se repetem à exaustão, afinal): o tempo voa. Hoje, 14/04, minha filhota já faz dois (2) anos. Como contei aqui como foi o dia do nascimento, hoje só quero deixar um parabéns mesmo, registrado aqui nas interwebz para quem sabe um dia ela até ler (e do jeito que o tempo está passando rápido, isso deve ser daqui uns 3 ou 4 dias).
E merece um obrigado também. Filha, você me faz muito feliz. Até quando está de manha (e cara, você é MUITO manhosa, te digo desde já). Mas só porque você é muito esperta e já sacou exatamente como levar sua mãe e eu no bico, facinho facinho. Como quando estou dando a maior bronca em você, bravo, com a cara séria, e você me dá um beijo bem na ponta do nariz - e praticamente me desmonta.
Mas a manha é pouca comparada ao tanto de alegria que você me dá em tudo que faz.
Amo ver você brincar, usando a imaginação para conversar ao telefone, fazer comidinha, ninar a zebra de pelúcia (e as bonecas, e outros bichos de pelúcia, e o gato de verdade), chutar uma bola.
Amo o quanto você é atenta, amo ver você aprendendo e fazendo as conexões entre as coisas - já comentei muitas vezes que de vez em quando parece até que consigo enxergar as engrenagenzinhas do seu cérebro girando.
Amo ver você correndo, coma ponta da língua para fora na carinha toda concentrada e os bracinhos colados forte ao corpo.
Amo seu sorriso e sua alegria, e tenho certeza absoluta de que sua risada é capaz de trazer paz mundial.
Amo que você é tão amorosa, sempre fazendo carinho, compartilhando suas coisas, envolvendo outras crianças em suas brincadeiras... com você, ninguém se isola e ninguém brinca sozinho - e você só tem dois anos! Tem todo o direito de ser egoísta, mas você é uma pessoinha muito melhor do que seu pai. E fico impressionado (e, confesso, um pouquinho preocupado) que você fica mega angustiada quando vê alguém se machucando ou triste: quando passa "video-cassetadas" na TV, ou uma cena com alguém chorando, tenho que mudar de canal de tanto que você fica nervosa... Você é muito, muito especial.
Amo suas negociações ("Mais uma bala, papai. Só uuuuuuma"), suas invenções ("Qué girar, papai!"; "Qué pulá! Um, dois, já!"), suas histórias (aí não consigo dar exemplo ainda, porque quando você tenta falar muita coisa fica ininteligível, só uma ou outra palavra se salvam).
Enfim, eu amo você, filhota. Esse é seu segundo aniversário, estou curtindo cada momento e fico extremamente animado e ansioso pelo que vem pela frente (ok, e com um pouco de medo do que vem bem mais pra frente, tipo daqui uns 11, 12 ou - pô, posso torcer, né? - 20 anos). Está cada vez melhor! Quero muito estar junto com você o máximo possível, acompanhar essa evolução toda de perto, ver a pessoa que você está se tornando.
Parabéns, meu amorzinho. E obrigado por me possibilitar essa viagem. É sem dúvida a mais incrível que existe, e ela só é tão especial porque é você. PARTY ON!
17/02/12
Ronaldo está saindo pior que a encomenda
Gosto do Ronaldo atleta. Puta cara.
Não suporto o Ronaldo empresário. Seus comentários (que foram bem analisados pelo jornalista Vitor Birner em seu blog, aqui e aqui) têm sido não apenas infelizes - como achei de início - mas demonstram uma falta de escrúpulos que não imaginava no fenômeno. Maquiavélico mesmo. Aliás, esse segundo comentário infeliz do Ronaldo, sobre o Ricardo Teixeira, me motivou a deixar um comentário no blog - coisa que não faço com freqüência. E aí por pura falta de assunto resolvi compartilhar por aqui, até para registrar o que penso sobre o assunto mais diretamente. Porque em blogs grandes os comentários ficam perdidos entre 200, 300 outros e ninguém lê, então não sinto que meu desabafo foi realmente feito. Aqui, pelo menos desopilo - mesmo que ninguém vá ler também. hahahah
Há que se separar muito bem o Ronaldo atleta – aquele de seguidas superações improváveis, coração grande (vários companheiros de times já declararam que ele é um grande colega, que cuida bem de seus companheiros), gols belíssimos e futebol brilhante (também cuida bem da bola) – do Ronaldo empresário, homem de negócios. Esse último tem mostrado que cuida muito bem…. de seus negócios.
É muito interessante para sua empresa que a Copa seja no Brasil. É muito interessante para sua empresa que ele esteja à frente do COL, COI, CBF, congresso, ABL, sindicato, presidência do time de pebolim e o que mais ele conseguir assumir conforme o Ricardo Teixeira precise de laranjas e testas de ferro para suas operações sinistras – e nem acho que Ronaldo se envolva nelas, ele é inteligente demais para isso. Mas seus negócios beneficiam-se das posições que “ganha” (porque “conquista” é vergonhoso nesse caso), dos efeitos das decisões ridículas de nossos representantes públicos. E, como homem de negócios inteligente, sem se envolver na lama a usa para benefício próprio – se ele for menos inteligente do que dou crédito é capaz que esteja chafurdando nessa lama também. Mas, sinceramente, duvido.
E no final das contas, se comprovadas as acusações, ele pode (e vai) "fazer o Lula" e declarar que “Fui pego de surpresa, enganado por pessoas que conhecia e não tinha por que desconfiar delas, que vi fazerem tanto por nosso futebol e por nosso país… nunca imaginei que poderia ser verdade, estou em absoluto choque e revoltado com essa atitude, me sinto traído”.
Duvida?
11/01/12
História de Ano Novo
Demorei um pouco para relatar essa história. Já estamos no dia 10 - ops, agora vejo que passou da meia-noite. Dia 11 então. Que seja.
Mas ainda estava em choque, processando o que aconteceu e ponderando o significado daquilo. Decidi contar por aqui, e quem sabe alguém que encontrar essa narrativa consiga, com maior conhecimento do que eu, me ajudar a entender.
Foi no dia 31 de Dezembro passado. Véspera de ano novo. Descemos todos para ver os fogos, pouco antes da meia noite, debaixo de uma chuva estraga-prazeres. Cada um com seu guarda-chuva na mão (no meu caso, um guarda sol fazendo a vez de seu nêmese), família toda próxima. E então alguém tocou de leve meu ombro. Olhei para o lado e vi um homem todo vestido de branco, mais baixo do que eu, barba e cabelos castanhos ondulados até os ombros e olhar pacífico.
"Olá", disse ele com um sorriso amigável e até um pouco tímido. Eu não queria muito conversar - adoro fogos - mas ainda tínhamos cerca de 10 minutos e tenho o péssimo hábito de ser polido demais, então respondi. "Quanta gente, não?", ele continuou. Novamente respondi, um pouco seco. "Você se importaria de me tirar algumas dúvidas?", insistiu. E eu realmente me importava, mas havia algo naquele olhar e sorriso bondosos, inocentes, e um tom naquela voz absolutamente serene que me compeliu a concordar.
"Eu não sou daqui," continuou o homem, "estou visitando, e fiquei muito curioso para entender o que está acontecendo. Porque está todo mundo aqui, olhando para o mar?"
"Bom" comecei a responder, já achando que era pegadinha de algum programa infame de TV, "logo mais vai ter queima de fogos para celebrar o ano novo."
"Ah. E por que tanta gente está de branco? Ou amarelo?"
"Você está brincando, né? Sei lá, cara, é tradição. Branco é paz, felicidade. Amarelo acho que é dinheiro", expliquei meia boca - eu mesmo não sei o que cada cor significa. Mas ele olhou intrigado, e aquele olhar era inocente demais. Concluí que não estava de sarro, e talvez fosse apenas alguém com problemas psicológicos ou de memória, então completei: "As pessoas acreditam que entrar no ano novo vestindo essas cores vai trazer coisas boas, compram cueca nova, calcinha nova e usam para simbolizar... sei lá, coisas novas significam alguma coisa boa também. Pra ser sincero, eu não acredito nessas coisas, mas vá lá. Se deixa as pessoas felizes..."
"Entendo. E é assim no mundo todo?"
"Ah, cada país tem suas tradições e suas crendices típicas e elas são diferentes entre si, mas sim, o mundo inteiro faz isso", mas aí já estava achando estranho demais, ele me ouvia com curiosidade demais, atentamente demais. "Mas pára com isso, cara" falei, o mais delicadamente que consegui. "Não é possível que você não saiba essas coisas, você deve ter mais de 30 anos! Você estava em algum hospital, teve algum problema?"
Então ele se apresentou: "Presencialmente aqui, 34 anos, na verdade - fiz aniversário há pouco. Pelo menos da maneira que vocês contam o tempo." E aí fui eu quem ficou confuso. "Vocês?", perguntei. "Sim. Como falei, não sou daqui.", ele disse, e então falou o nome de seu planeta de origem, a sei-lá-quantos-anos-luz da Terra. Seu nome era Jesus (pronuncia-se "Rê-ssus"), e ele passou a sussurrar segredos cósmicos, sua origem, a (real) origem da humanidade e seu destino. Conforme falava fui completamente envolvido em sua voz, em suas palavras, e minha mente foi sendo transportada por elas: vi o big bang e viajei por mundos, pela matemática, física e outras ciências como se fossem brinquedos de um desses parques itinerantes absolutamente vagabundos que pipocam por cidades pequenas e pelo litoral durante a temporada. Em sua voz, era tudo tão simples, e ao mesmo tempo perigoso e inseguro, assim - pelo menos foi assim que me senti. "Viajei" pelo que pareceram horas, talvez dias. Completou com o sentido da vida (lembro de ter torcido para ele dizer "42", mas não disse), a ciência de tudo, o segredo por trás de todas as crenças e quando vi estava de volta em meu corpo, debaixo da chuva, olhando para aquela figurinha curiosa, em choque e absolutamente certo de que se tratava de um alienígena - disso não havia dúvidas, não havia o que questionar. Mas antes que eu conseguisse ao menos terminar de processar que se tratava de um alienígena e do que isso significava, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ele falou, de maneira terrivelmente definitiva:
"Mas é óbvio que uma civilização que acredita que a cor da cueca e da calcinha vai trazer algum tipo de benefício em seus destinos em um banal novo ciclo ao redor do sol não está pronta para esse conhecimento ainda. Voltarei em alguns milênios", e estalou os dedos em frente ao meu nariz no exato momento em que os fogos começaram, com explosões altas e brilho intenso. Pego de surpresa, virei por um instante para os fogos e quando olhei de volta ele não estava mais lá. Na verdade, sua presença era uma mera sensação - não tinha nem mesmo certeza de que ele havia estado lá. Só que tinha certeza. Não sei explicar como exatamente. E não conseguia lembrar de nada do que ele me contou. Isso aconteceu já no momento em que estalou os dedos.
Apenas ecoam no fundo da minha mente essas últimas e definitivas palavras, em tom tão cruelmente sereno: "não está pronta para esse conhecimento". E sei que ele estava certo. Terrivelmente certo.
.
Mas ainda estava em choque, processando o que aconteceu e ponderando o significado daquilo. Decidi contar por aqui, e quem sabe alguém que encontrar essa narrativa consiga, com maior conhecimento do que eu, me ajudar a entender.
Foi no dia 31 de Dezembro passado. Véspera de ano novo. Descemos todos para ver os fogos, pouco antes da meia noite, debaixo de uma chuva estraga-prazeres. Cada um com seu guarda-chuva na mão (no meu caso, um guarda sol fazendo a vez de seu nêmese), família toda próxima. E então alguém tocou de leve meu ombro. Olhei para o lado e vi um homem todo vestido de branco, mais baixo do que eu, barba e cabelos castanhos ondulados até os ombros e olhar pacífico.
"Olá", disse ele com um sorriso amigável e até um pouco tímido. Eu não queria muito conversar - adoro fogos - mas ainda tínhamos cerca de 10 minutos e tenho o péssimo hábito de ser polido demais, então respondi. "Quanta gente, não?", ele continuou. Novamente respondi, um pouco seco. "Você se importaria de me tirar algumas dúvidas?", insistiu. E eu realmente me importava, mas havia algo naquele olhar e sorriso bondosos, inocentes, e um tom naquela voz absolutamente serene que me compeliu a concordar.
"Eu não sou daqui," continuou o homem, "estou visitando, e fiquei muito curioso para entender o que está acontecendo. Porque está todo mundo aqui, olhando para o mar?"
"Bom" comecei a responder, já achando que era pegadinha de algum programa infame de TV, "logo mais vai ter queima de fogos para celebrar o ano novo."
"Ah. E por que tanta gente está de branco? Ou amarelo?"
"Você está brincando, né? Sei lá, cara, é tradição. Branco é paz, felicidade. Amarelo acho que é dinheiro", expliquei meia boca - eu mesmo não sei o que cada cor significa. Mas ele olhou intrigado, e aquele olhar era inocente demais. Concluí que não estava de sarro, e talvez fosse apenas alguém com problemas psicológicos ou de memória, então completei: "As pessoas acreditam que entrar no ano novo vestindo essas cores vai trazer coisas boas, compram cueca nova, calcinha nova e usam para simbolizar... sei lá, coisas novas significam alguma coisa boa também. Pra ser sincero, eu não acredito nessas coisas, mas vá lá. Se deixa as pessoas felizes..."
"Entendo. E é assim no mundo todo?"
"Ah, cada país tem suas tradições e suas crendices típicas e elas são diferentes entre si, mas sim, o mundo inteiro faz isso", mas aí já estava achando estranho demais, ele me ouvia com curiosidade demais, atentamente demais. "Mas pára com isso, cara" falei, o mais delicadamente que consegui. "Não é possível que você não saiba essas coisas, você deve ter mais de 30 anos! Você estava em algum hospital, teve algum problema?"
Então ele se apresentou: "Presencialmente aqui, 34 anos, na verdade - fiz aniversário há pouco. Pelo menos da maneira que vocês contam o tempo." E aí fui eu quem ficou confuso. "Vocês?", perguntei. "Sim. Como falei, não sou daqui.", ele disse, e então falou o nome de seu planeta de origem, a sei-lá-quantos-anos-luz da Terra. Seu nome era Jesus (pronuncia-se "Rê-ssus"), e ele passou a sussurrar segredos cósmicos, sua origem, a (real) origem da humanidade e seu destino. Conforme falava fui completamente envolvido em sua voz, em suas palavras, e minha mente foi sendo transportada por elas: vi o big bang e viajei por mundos, pela matemática, física e outras ciências como se fossem brinquedos de um desses parques itinerantes absolutamente vagabundos que pipocam por cidades pequenas e pelo litoral durante a temporada. Em sua voz, era tudo tão simples, e ao mesmo tempo perigoso e inseguro, assim - pelo menos foi assim que me senti. "Viajei" pelo que pareceram horas, talvez dias. Completou com o sentido da vida (lembro de ter torcido para ele dizer "42", mas não disse), a ciência de tudo, o segredo por trás de todas as crenças e quando vi estava de volta em meu corpo, debaixo da chuva, olhando para aquela figurinha curiosa, em choque e absolutamente certo de que se tratava de um alienígena - disso não havia dúvidas, não havia o que questionar. Mas antes que eu conseguisse ao menos terminar de processar que se tratava de um alienígena e do que isso significava, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ele falou, de maneira terrivelmente definitiva:
"Mas é óbvio que uma civilização que acredita que a cor da cueca e da calcinha vai trazer algum tipo de benefício em seus destinos em um banal novo ciclo ao redor do sol não está pronta para esse conhecimento ainda. Voltarei em alguns milênios", e estalou os dedos em frente ao meu nariz no exato momento em que os fogos começaram, com explosões altas e brilho intenso. Pego de surpresa, virei por um instante para os fogos e quando olhei de volta ele não estava mais lá. Na verdade, sua presença era uma mera sensação - não tinha nem mesmo certeza de que ele havia estado lá. Só que tinha certeza. Não sei explicar como exatamente. E não conseguia lembrar de nada do que ele me contou. Isso aconteceu já no momento em que estalou os dedos.
Apenas ecoam no fundo da minha mente essas últimas e definitivas palavras, em tom tão cruelmente sereno: "não está pronta para esse conhecimento". E sei que ele estava certo. Terrivelmente certo.
.
Assinar:
Postagens (Atom)
