22/01/2008

Filosofia e o meu vício atual

Eu acho intrigante o quanto tem gente que diz que a vida não é “simples”. Eu nunca pensei assim (sei lá, just doesn’t sound right), nem consigo dizer isso: pra mim a vida sempre foi simples, nós é que “complicamos tudo” – ou foi o que sempre achei. Até assistir, diadesses, um episódio de House e assim sem querer me deparar com uma das frases filosofais mais absurdamente fantásticas sobre a vida.

[Pausa rápida para gerar suspense: por isso acho que os roteiristas estão certíssimos em fazer greve e exigirem mais grana. Se eu fosse roteirista, ia ficar puto que um ator águacomaçúcar como o Tom Cruise ganha tanto mais do que eu. Tá certo, o ator é que atrai o público, etcetal, mas sem roteiro o ator faz o que? Fica parado com cara de bobo? Isso não ia dar muita grana. Oras.]

Voltando...

Ok, ambientação: a ex-esposa do House (com quem ele está tendo um caso e por quem ele é apaixonadão) fala pra ele que queria que as coisas fossem simples, não fossem tão complicadas, que queria só amar o marido atual e odiar ele mas ama os dois, blábláblá. O House, versão médica de mim (só que mais inteligente e experiente), vira pra ela e diz:

“Você pode ter uma vida comigo, ou pode ter uma vida com ele. Não pode ser as duas coisas. Não é fácil, mas é simples.”

Cara, a maioria das coisas são assim. A gente se engana achando que é complexo, mas na verdade é muito simples. O negócio é termos que lidar com as conseqüências, mas (mais uma vez) é simples mesmo que seja ruim ou difícil – nós criamos uma máscara de complexidade para coisas que, na verdade, são simplesmente ruins. E não é só quanto a relacionamentos amorosos, ora bolas, é quanto a tudo. Trabalho, amizade, ética... tomar decisões é quase sempre difícil. Para escolher qualquer coisa, abrimos mão de outra. Mas não dá para fugir disso. Você toma decisões ou se esconde sob um "cobertor de complexidade"?? Como deve dar para notar, eu tento não me esconder - mas a verdade é que de vez em quando me escondo sim (minha afirmação de que "nós que complicamos tudo", enquanto na verdade, as coisas continuam simples - são só difíceis). Acho que menos que a maioria (auto-massagem no ego), mas me escondo. Pelo menos estando consciente disso talvez eu consiga melhorar, tchérto?

Um comentário:

Thiago disse...

House é o filósofo do século XXI.

Os roteiristas são ninguém, nem o Gugh Laurie, o bom é o House e tenho dito rsrs.