disclêimer: texto sem ironia e sem (muitas) piadinhas, mas contendo algumas verdades (minhas. A "verdade", quando se trata de conceitos e valores, é uma coisa individual). Teje avisado!
Uma das coisas que aprendi conforme fui amadurecendo (a idade mental agora já deve chegar em quase 9 anos) é que nós amamos o quanto nos permitimos amar. E o quanto isso deveria ser independente das outras pessoas, de reciprocidade: o amor verdadeiro simplesmente é. Um conceito abstrato e ilógico, tanto quanto o conceito de Deus. Mas não sejamos hipócritas: é muito mais gostoso quando recíproco.
De qualquer forma, às vezes percebo em conversas e textos que muita gente evita se entregar, planeja cada etapa como se fossem fases de um jogo: bobeiras, como não ligar no dia seguinte. O amor não é um jogo, meus amigos e amigas. Quando transformado em jogo, aliás, as chances de todos os envolvidos perderem é desesperadoramente grande: como um dado viciado, aonde "a casa sempre vence", mas muito mais doloroso.
Outro amor, esse em alta nesses tempos de rede social - pelo menos em discurso - é o amor entre amigos. Estranhos que nem tiveram contato "real" mas que desenvolvem uma afinidade tão grande que é impossível não se intitularem amigos. E, aliás, quem poderia dizer que - no mundo de hoje - esses laços virtuais não são um contato real? Afirmo com toda a convicção que são, e sou um desses praticantes do amor virtual, da amizade à distância, puramente intelectual.
Mas o amor mais escasso que existe hoje em dia, sem dúvida alguma, é o amor a quem não conhecemos, ou a quem pensa diferente de nós. Estamos nos polarizando de tal maneira como espécie, e nos tornando tão inflexíveis em nossas opiniões - e temos que ter opiniões sobre tudo, não é mesmo? Sou réu confesso e culpado desse mesmo pecado - que tenho medo de onde chegaremos, como sociedade, se persistimos nessa direção. E essa empatia é tão importante, até mesmo para explicarmos nossos pontos de vista. Estamos nos fechando a novas idéias, novos conceitos e às diferenças. Nos cercando de nós mesmos em outras pessoas que pensam absolutamente igual a nós. Na cultura de mídia social isso se tornou um fenômeno também, aonde nossos egos nos torna grandes embaixadores de nós mesmos.
E por isso sonho com outra proposta, uma mudança em nossos paradigmas, um exercício de auto conhecimento e auto desenvolvimento, em benefício de todos. Considerando a premissa do início do texto, de que o amor verdadeiro não exige retorno, devemos amar grande, amar muito, sem jogos, sem fronteiras, sem partido. Amar os amigos, amar os amores e amar quem pensa diferente também.
Sabe, uma coisinha chamada também de "amar ao próximo".
Como amamos a nós mesmos.
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21/10/2015
17/09/2009
"Há que se transcender qualquer tipo de preconceito." II
Esse segundo post, como eu falei, é sobre cor. Mas sabe, poderia ser sobre orientação sexual, ou sobre qualquer outra forma de discriminação: todas vêm da insegurança aliada a ignorância. Agora, falar sobre racismo/discriminação me entedia, todo mundo fala disso. Como bom sacana, vou falar mais é sobre os bem intencionados e um ponto onde acho que estão errados. Prepare-se para atirar pedras no titio OgrO.
O negócio é que da mesma forma que na questão de orgulho nacionalista, eu vejo sempre as pessoas falando ou sobre "união das raças" ou sobre a "defesa da raça" (amarela, negra, vermelha ou mesmo branca). E o meu ponto é, novamente, que a visão está limitada: a "raça" é uma só! Não tem que ter orgulho ou vergonha de ser branco, negro, mulato, pardo, amarelo, vermelho ou azul com bolinhas laranja. Não é para ter vantagem por ser "minoria", não dá para ser minoria de algo que é uma coisa só! Isso é um auto-preconceito que na verdade só vai fazer com que as pessoas continuem acreditando que a cor de sua pele é algum tipo de vantagem ou desvantagem, quando não é. E por isso sempre defendi a ajuda SOCIAL, e não RACIAL.
Aqui cabe um parênteses: talvez eu seja mais evoluído, talvez eu seja apenas utópico. Mas quem me chamar de inocente que vá tomar no cu: eu aqui não estou de forma alguma falando do mundo real, que eu sei bem como é. Estou falando de como DEVERIA ser, ou talvez do que DEVERÍAMOS almejar. E é por isso que eu falei no primeiro post que entendo o ponto de vista das autoras e concordo que é um avanço, que é legal e que é necessário. Só quero aqui, nesses dois posts que ninguém vai ler, construir em cima disso. Ok? Entãovamosemfrenteobrigado.
Não acho que é suficiente os negros terem mais orgulho da "raça". Ninguém enxerga que isso apenas aumenta a diferença entre as pessoas? Só leva as pessoas a se diferenciarem mais, quando o objetivo (pelo menos em discurso) é integrar e aproximar? Digo tudo isso porque minha experiência em negócios deixa muito claro que vamos chegar, no máximo, aonde colocamos nosso objetivo. Então uma das coisas que nos falta é realmente sermos mais ambiciosos. Sou absolutamente contra qualquer coisa que diferencie e afaste as pessoas, contra qualquer classificação: classificar as pessoas é uma maneira de padronizar o impadronizável: cor, assim como o lugar em que nascemos, não nos define (e é válido o mesmo comentário de que "sem dúvida molda nossa personalidade" e influencia nossas vidas de infinitas maneiras. Mas para algo te DEFINIR precisa dizer absolutamente tudo sobre você, e nem cor nem nacionalidade fazem isso).
Eu não fico feliz pelo espaço maior dos negros na propaganda: ficarei feliz quando um outdoor da United Colors of Benetton nem chamar mais a atenção. Não vou ficar feliz quando legalizarem o casamento gay (eu sei que mudei de assunto, mas encaixa no tema então não enche o saco): vou ficar feliz quando isso for chamado apenas de "casamento".
E, apesar de contente pelo avanço e porque você está feliz, amiga, não consigo ficar feliz como você porque temos uma protagonista negra em novela (que não é pobre, empregada ou escrava, como você bem disse). Mas vou ficar feliz, realmente feliz, quando isso for tão natural que ninguém nem pense em comentar, nem entenda por quê seria algo a comentar. Aí sim teremos chegado aonde eu quero.
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O negócio é que da mesma forma que na questão de orgulho nacionalista, eu vejo sempre as pessoas falando ou sobre "união das raças" ou sobre a "defesa da raça" (amarela, negra, vermelha ou mesmo branca). E o meu ponto é, novamente, que a visão está limitada: a "raça" é uma só! Não tem que ter orgulho ou vergonha de ser branco, negro, mulato, pardo, amarelo, vermelho ou azul com bolinhas laranja. Não é para ter vantagem por ser "minoria", não dá para ser minoria de algo que é uma coisa só! Isso é um auto-preconceito que na verdade só vai fazer com que as pessoas continuem acreditando que a cor de sua pele é algum tipo de vantagem ou desvantagem, quando não é. E por isso sempre defendi a ajuda SOCIAL, e não RACIAL.
Aqui cabe um parênteses: talvez eu seja mais evoluído, talvez eu seja apenas utópico. Mas quem me chamar de inocente que vá tomar no cu: eu aqui não estou de forma alguma falando do mundo real, que eu sei bem como é. Estou falando de como DEVERIA ser, ou talvez do que DEVERÍAMOS almejar. E é por isso que eu falei no primeiro post que entendo o ponto de vista das autoras e concordo que é um avanço, que é legal e que é necessário. Só quero aqui, nesses dois posts que ninguém vai ler, construir em cima disso. Ok? Entãovamosemfrenteobrigado.
Não acho que é suficiente os negros terem mais orgulho da "raça". Ninguém enxerga que isso apenas aumenta a diferença entre as pessoas? Só leva as pessoas a se diferenciarem mais, quando o objetivo (pelo menos em discurso) é integrar e aproximar? Digo tudo isso porque minha experiência em negócios deixa muito claro que vamos chegar, no máximo, aonde colocamos nosso objetivo. Então uma das coisas que nos falta é realmente sermos mais ambiciosos. Sou absolutamente contra qualquer coisa que diferencie e afaste as pessoas, contra qualquer classificação: classificar as pessoas é uma maneira de padronizar o impadronizável: cor, assim como o lugar em que nascemos, não nos define (e é válido o mesmo comentário de que "sem dúvida molda nossa personalidade" e influencia nossas vidas de infinitas maneiras. Mas para algo te DEFINIR precisa dizer absolutamente tudo sobre você, e nem cor nem nacionalidade fazem isso).
Eu não fico feliz pelo espaço maior dos negros na propaganda: ficarei feliz quando um outdoor da United Colors of Benetton nem chamar mais a atenção. Não vou ficar feliz quando legalizarem o casamento gay (eu sei que mudei de assunto, mas encaixa no tema então não enche o saco): vou ficar feliz quando isso for chamado apenas de "casamento".
E, apesar de contente pelo avanço e porque você está feliz, amiga, não consigo ficar feliz como você porque temos uma protagonista negra em novela (que não é pobre, empregada ou escrava, como você bem disse). Mas vou ficar feliz, realmente feliz, quando isso for tão natural que ninguém nem pense em comentar, nem entenda por quê seria algo a comentar. Aí sim teremos chegado aonde eu quero.
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16/09/2009
"Há que se transcender qualquer tipo de preconceito."
Disclaimer: Ok, quem me conhece deve estar pensando: "Ah não, mais um daqueles textos sérios chatos. Porra, cara, já nem gosto de você quando você está tentando ser engraçado." Pois é, é isso mesmo, texto sério. Se não quer ler, tchaubeijomeliga.
"Há que se transcender qualquer tipo de racismo."
Eu sempre penso nessa frase, que não sei se ouvi ou li em algum lugar ou se inventei. Mas soa bem. Entre ontem e hoje li dois textos (muito bacanas, então que fique claro que isso não é uma crítica aos textos em si. É uma proposta de um novo modelo mental) que abordam esse tema, de uma maneira ou de outra: um fala sobre cor, e outro sobre nacionalidade. E eu não consigo concordar com nenhum deles, apesar de entender o ponto de vista de suas autoras (e, em um dos casos, concordar que é um avanço). Vou dividir em dois posts para não matar ninguém de tédio, e vou começar com a questão do nacionalismo.
O negócio é que não consigo entender por que alguém tem orgulho de ser brasileiro. Ou americano. Ou inglês, liechtensteiniano (?), francês, nepalês, senegalês, transnístrio (ou pridnestróvio), chinês, uruguaio, tajiquistanês (??), alemão, vanuatu (???), espanhol, micronésio, mexicano, canadense, Tongalês ou qualquer merda. Na minha cabeça, a nacionalidade não nos define. Sem dúvida molda nossa personalidade (óbvio que não vou dizer que japoneses são tão calorosos ou que americanos são tão simpáticos quanto os brasileiros), mas ninguém conseguiu ainda me convencer de que americanos são melhores do que brasileiros, ou que brasileiros são melhores do que vanuatus, ou vice-versa nos dois casos.
Pessoas são pessoas, com tudo de bom e de ruim que isso implica (porque, como sabem, eu considero o ser humano uma abominação). Há seres que chegam ao cúmulo de se acharem superiores devido a CIDADE da onde vêm, meodeos. "Eu sou gaúcho", ou "Eu sou carioca", ou "Eu sou paulista" - todos que dizem isso estão na verdade dizendo para mim: "Eu sou estúpido. Eu sou tão limitado, tão infeliz e inseguro com minhas próprias conquistas que preciso valorizar a coincidência geográfica da loteria do meu nascimento."
Já foram feitos estudos científicos de que para erradicar a fome no mundo são necessários US$ 32 bilhões por ano. ERRADICAR. O PIB do Brasil sozinho é de US$ 2 TRILHÕES. 32 bi equivalem a exatamente 1,6% - UM VÍRGULA SEIS POR CENTO - de 2 trilhões. E isso é UM país. Por que isso não é feito? Eu realmente acho que, em parte, é por causa do nacionalismo: quando você não vê outras pessoas como parte da sua "família", da sua comunidade, por quê ajudar?
Acredito piamente que quando evoluirmos a ponto de pararmos de diferenciar as pessoas do mundo por conta de limites geográficos IMAGINÁRIOS, talvez todos (e isso inclui os governos) passem a ter maior compaixão pelas mazelas alheias e se ajudem mais.
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"Há que se transcender qualquer tipo de racismo."
Eu sempre penso nessa frase, que não sei se ouvi ou li em algum lugar ou se inventei. Mas soa bem. Entre ontem e hoje li dois textos (muito bacanas, então que fique claro que isso não é uma crítica aos textos em si. É uma proposta de um novo modelo mental) que abordam esse tema, de uma maneira ou de outra: um fala sobre cor, e outro sobre nacionalidade. E eu não consigo concordar com nenhum deles, apesar de entender o ponto de vista de suas autoras (e, em um dos casos, concordar que é um avanço). Vou dividir em dois posts para não matar ninguém de tédio, e vou começar com a questão do nacionalismo.
O negócio é que não consigo entender por que alguém tem orgulho de ser brasileiro. Ou americano. Ou inglês, liechtensteiniano (?), francês, nepalês, senegalês, transnístrio (ou pridnestróvio), chinês, uruguaio, tajiquistanês (??), alemão, vanuatu (???), espanhol, micronésio, mexicano, canadense, Tongalês ou qualquer merda. Na minha cabeça, a nacionalidade não nos define. Sem dúvida molda nossa personalidade (óbvio que não vou dizer que japoneses são tão calorosos ou que americanos são tão simpáticos quanto os brasileiros), mas ninguém conseguiu ainda me convencer de que americanos são melhores do que brasileiros, ou que brasileiros são melhores do que vanuatus, ou vice-versa nos dois casos.
Pessoas são pessoas, com tudo de bom e de ruim que isso implica (porque, como sabem, eu considero o ser humano uma abominação). Há seres que chegam ao cúmulo de se acharem superiores devido a CIDADE da onde vêm, meodeos. "Eu sou gaúcho", ou "Eu sou carioca", ou "Eu sou paulista" - todos que dizem isso estão na verdade dizendo para mim: "Eu sou estúpido. Eu sou tão limitado, tão infeliz e inseguro com minhas próprias conquistas que preciso valorizar a coincidência geográfica da loteria do meu nascimento."
Já foram feitos estudos científicos de que para erradicar a fome no mundo são necessários US$ 32 bilhões por ano. ERRADICAR. O PIB do Brasil sozinho é de US$ 2 TRILHÕES. 32 bi equivalem a exatamente 1,6% - UM VÍRGULA SEIS POR CENTO - de 2 trilhões. E isso é UM país. Por que isso não é feito? Eu realmente acho que, em parte, é por causa do nacionalismo: quando você não vê outras pessoas como parte da sua "família", da sua comunidade, por quê ajudar?
Acredito piamente que quando evoluirmos a ponto de pararmos de diferenciar as pessoas do mundo por conta de limites geográficos IMAGINÁRIOS, talvez todos (e isso inclui os governos) passem a ter maior compaixão pelas mazelas alheias e se ajudem mais.
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